Família Marinho comemora o centenário do seu Patriarca.

 

Para comemorar o centenário de Sebastião Marinho, conhecido como Sr. Siba, à família preparou no dia 17.01 um dia repleto de comemorações na Chácara Marinho, iniciando com a celebração da Missa às 10h, celebrada por Padre João Luís do Nascimento, que contou com a presença de familiares e amigos, logo após foi servido um almoço aos presentes, as festividades em comemoração ao centenário se estenderam até a noite com o tradicional Parabéns e corte do bolo que contou com a presença de diversas pessoas da sociedade agrestinense, a animação ficou por conta de Maurício Ramalho e banda. Entre os que prestigiaram o evento estavam o ex-prefeito Josué Mendes, sua esposa Graça Mendes, o poeta Zé Caroba, a Vereadora Sheila, que é casada com um membro da família Marinho, e o cantor Jorge de Altinho, além de dezenas de familiares e amigos de Agrestina e da região.  Após o encerramento da Missa, o neto de Sr. Siba, o Professor Paulo Junior, prestou uma homenagem ao seu avô materno, fazendo a leitura de uma biografia narrando a história de Sebastião Marinho, emocionando aos presentes no evento. Abaixo segue parte do texto produzido pelo Professor e historiador Paulo Junior.

 

Em 17 de janeiro de 1916, no Sítio Umbuzeiro, da vila de Bebedouro do município do Altinho, nascia Sebastião Marinho da Silva, nascido em Janeiro, recebeu na pia batismal o nome em homenagem ao mártir São Sebastião. Filho de: Manoel Joaquim da Silva e Francisca Maria da Conceição, criando-se na adversidade oriundas do seu tempo, aprendeu os ofícios de agricultor, enfermeiro, comerciante, e devido à sua influência, enveredou-se na vida pública, desde moço tocou a vida de forma honesta e justa. No sítio Umbuzeiro, conheceu, namorou e se desposou de sua companheira Francisca Maria da Conceição, D. Chiquinha, com quem conviveu durante mais de 6 décadas. Os jovens enamorados, se casaram aos 22 anos de idade no dia 21 de fevereiro do ano de 1939, o ato foi celebrado na Matriz de Santo Antônio, pelo Padre Adalberto Damasceno, o primeiro nasceu em 1942, época em que o mundo chocava-se com os noticiários vindos da Europa, sobre a Segunda Guerra Mundial, Sebastião Marinho acabou sendo dispensado da convocação para o  Serviço Militar, graças ao nascimento de Pedro Marinho da Silva. Após o nascimento do primogênito sucederam o nascimento de: José, Maria Marinho (Mariquinha), Josefa Francisco (Didi), Alzira, Antônio, Josefa Marinho (Zeza), Edileusa, Edilene, Manoel, Desterro e Agnaldo (in memoriam). 

 

Além de chefe de família numerosa, Sebastião Marinho detinha um enorme prestígio político, social e econômico, aos 36 anos foi nomeado por ato do Governador Agamenon Magalhães, para exercer o cargo de Comissário de Polícia de Umbuzeiro, função destinada a apaziguar os conflitos locais, e encaminhar os casos mais graves ao delegado de polícia local, além desses ofícios se dedicou ao longo de muitos anos aos primeiros socorros do povo de sua comunidade, exercendo os ofícios de enfermeiro. A ocupação destas funções públicas, acabou levando Sebastião Marinho a entrar na política, candidatando-se ao cargo de Vereador, Sr. Siba se manteve fiel e obediente a linha partidária do grupo de Elias Libânio. 

Exerceu o primeiro mandato de Vereador no quadriênio de 1955-1959, durante o segundo mandato de Elias Libânio, neste período, Sr. Siba ajudou a eleger Elias Libânio para o cargo de Deputado Estadual. No quadriênio 1959-1963, foi reeleito ao cargo de Vereador pela União Democrática Nacional – UDN, sendo prefeito o Sr. Sebastião Grande da Silva. Foi reconduzido ao cargo de Vereador para o terceiro mandato para o período de 1963-1969, durante o segundo mandato de Olímpio Pontes Belo. Lembro-me que por diversas vezes perguntei a ele, se ele se recordava dos seus companheiros de Câmara, ele citava os nomes, e os redutos em que os Vereadores na época atuavam, irei aqui citar o nome de alguns: Sotero Alves (Sr. Duta), era o líder político nas comunidades de  Exú e Jucá Grosso, João Lourenço líder em Pé de Serra, Tibúrcio em Água Branca, Sr. Euclides Tururi, na Variante, D. Albertina em Barra do Jardim, os irmãos Sebastião e Gabriel Grande lideranças em Barra do Chata, Benito Ribeiro, Zé Barbosa, João Augusto de Barra do Jardim, estes, assim como Sr. Siba deixaram um legado para história de Agrestina. 
Chegada época de política, os comícios eram um momento festivo na localidade, a casa se enchia do povo, das lideranças da cidade, para prestigiar o comício, se divertir, comer e beber na casa do Vereador, esse fato não sai da memória dos filhos mais velhos de Sr. Siba, que o acompanhavam nos comícios realizados nos sítios vizinhos. Para o dia da eleição, roupas eram confeccionadas para serem entregues aos eleitores, a filha Didi era a mais animadas na época das campanhas, era a cantora da família, inclusive confeccionava roupas de xita que eram distribuídos aos eleitores de Elias Libânio. Fidelidade partidária, obediência e honestidade eram valores prezados por Sebastião Marinho, e fizeram com que certa vez, Sr. Siba viesse a recusar presentes doados pela oposição local, com o objetivo que ele apoiasse Geraldo Guedes à Câmara Federal. Sebastião Marinho agradeceu, porém devolveu os presentes, alegando que já tinha assumido compromisso com Elias Libânio e seus candidatos. Não sendo reconduzido à Câmara de Vereadores na eleição de 1972, época em que a oposição chegou ao poder, Sr. Siba abandonou a carreira de político, dedicando-se apenas à família e ao comércio, na mercearia São Sebastião localizada em Agrestina e nas constantes e incontáveis viagens para as feiras livres de Altinho e de São Luiz do Quitunde – AL, ofício que depois foi herdado pelos seus filhos: Manoel, Antônio e José. Sempre foi um Homem habilidoso para o comércio, mesmo em períodos em que esteve afastado das atividades comerciais, devido à saúde física, ele detalhava aos filhos de forma precisa, onde deveriam quitar os débitos, quais mercadorias deveriam comprar e onde ele guardava suas reservas. 
Homem católico, devoto do Meu Padrinho Cícero e de Nossa Senhora das Dores, como tantos outros nordestinos, viajou diversas vezes ao Juazeiro, na companhia de filhos e netos. D. Chiquinha, sua companheira era uma mulher de fibra e oração,  sempre promovia na residência do casal, uma festa em honra a Assunção de Maria no dia 15 de Agosto, ela faleceu no ano de 2002, aos 85 anos, sua perca foi irreparável, porém a firmeza de homem sertanejo, fez com que Sebastião Marinho, pudesse suportar a dor de perder sua companheira Chiquinha. Outras percas se sucederam a esta, e trouxeram dor à família, porém a vida se renovou com a chegada dos novos descendentes, tornando ainda mais numerosa à Família Marinho, que é bastante conceituada em nosso município. 

Por Paulo Júnior.
Fotos:  Girlene Callado

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