Valores invertidos na sociedade moderna

Nesse primeiro post aqui na Conversa de Prof, gostaria de falar de algo que há tempos me incomoda: a inversão de valores na sociedade, nos seus mais variados aspectos. Sempre visualizo publicações nas redes sociais e também observo o mundo real à minha volta. Muitas e muitas vezes me pergunto onde isso tudo vai parar.

Viver em uma sociedade em que os valores morais aprendidos em outras épocas têm virado motivo de chacota é algo que merece ser refletido com seriedade. É muito complicado conviver com pessoas que julgam se você é superior ou inferior pela sua capacidade de beber muitos litros de bebida alcoólica, se você é uma bela mulher pela sua capacidade de ficar com diversos homens e ainda julgam que você é um homem “top” pela sua capacidade de ter um tênis da Nike ou “pegar” diversas mulheres.

Recentemente eu conversava com meu esposo acerca de amizades. Nessa conversa, cheguei à conclusão de que, quanto mais você se enquadra nos valores distorcidos da sociedade, mais amigos você tem. Porém, algo que deve ser observado é a qualidade dessas amizades. E isso só será descoberto quando você estiver passando por um grande problema e precisar desses amigos.

Outro fator em que se observa essa divergência é na cultura, especificamente na música (que é uma das minhas áreas, não profissionalmente – ainda –, mas apenas por hobby mesmo).  Quanto menos sentido fizer a letra da música, ou quanto menos ela tem a acrescentar a cada pessoa, mais sucesso ela faz. Profissionais excelentes são desvalorizados, enquanto qualquer um que cria uma música qualquer de dois acordes (com uma péssima letra, diga-se de passagem) tem suas mídias compartilhadas, visualizadas ou ouvidas aos milhões.

Infelizmente, como diz  Eliton Fernando Felczak, em seu artigo A modernidade líquida e a vida humana transformada em objeto de consumo, baseado nos escritos do filósofo polonês Zygmunt Bauman, “O ser humano, ancorado no discurso consumista, vive a sua vida sem se questionar sobre o que realmente acontece à sua volta. Vive-a como espectador, não como protagonista”. Acredito que é isso que está ocorrendo em nossa sociedade.  O consumo desenfreado, os modismos, a preguiça intelectual fazem com que as pessoas simplesmente deixem de questionar e passem a aceitar o que os meios sociais lhe impõem, sem no mínimo selecionar o que seria realmente mais “edificador”, digamos assim. Com isso, passamos a enfrentar uma distorção desenfreada daquilo que antes era considerado bom e agora passa a ser considerado “careta”, causando até mesmo um processo de exclusão social.

Portanto, enquanto as pessoas não se verem numa perspectiva de liberdade individual, não se perceberem como seres de opinião e não aprenderem a selecionar o que é realmente viável para suas vidas, esse círculo vicioso da inversão não terá fim. Então continuaremos a ver nossos adultos seguindo como gado para a matança na onda da mídia que pensa pequeno (e acha que o povo deve pensar também) e os jovens seguindo o exemplo dos adultos, se afundando em um pântano que com o passar dos anos se torna cada vez mais profundo, e se alimenta dos problemas mais vistos na sociedade moderna.

 

 

FONTE:

FELCZAK, Eliton Fernando. A modernidade líquida e a vida humana transformada em objeto de consumo. Disponível em <http://www.vidapastoral.com.br/artigos/atualidade/a-modernidade-liquida-e-a-vida-humana-transformada-em-objeto-de-consumo/> Acesso em 14 de março de 2016.

Imagem de Quino, cartunista argentino.

Imagem do cartunista argentino Quino. Bem a cara da nossa mídia atual!
Imagem do cartunista argentino Quino. Bem a cara da nossa mídia atual!

Elaine Silva

Elaine Cristina da Silva (nascida em São Joaquim do Monte - PE, 1989) atua como professora da área de Linguagens na Escola de Referência de Ensino Médio Frei Epifânio. É musicista e exerce também a função de revisora de texto na equipe de Iolita Campos. Graduada em Letras com Habilitação em Língua Inglesa pela FAMASUL (Palmares), possui especialização em Metodologia do Ensino de Língua Portuguesa e Estrangeira pela UNINTER. Apaixonada por música e estudos sobre língua estrangeira, está constantemente buscando novos conhecimentos acerca destes e de diversos assuntos. “Acredito que o conhecimento é algo infinito e o convite feito por Jonata Daniel para ser colunista em seu site me permitirá conversar acerca de diversos assuntos, transmitindo um pouco do que sei e também aprendendo através das pesquisas e interação com os leitores.”

8 comentários em “Valores invertidos na sociedade moderna

  • 15 de Março de 2016 em 2:58 am
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    Obrigada por comentar, Aline. Infelizmente é a nossa triste realidade, lutar por uma juventude que se deixa levar nesse mar de alienações.

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  • 16 de Março de 2016 em 1:10 pm
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    Parabéns Elaine, usou bem as palavras, escreveu com transparência e colocou de forma correta os valores invertidos na sociedade moderna, tenho orgulho de você e fico feliz com seu sucesso.

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    • 17 de Março de 2016 em 12:51 pm
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      Tia, fico honrada com sua participação aqui! Que bom que gostou! Esse tema há tempos me causa inquietação, por isso achei interessante transmitir isso através da escrita. Obrigada mais uma vez!

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  • 18 de Março de 2016 em 3:14 am
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    Seu texto reflete a mais pura realidade. Fico pensando na minha filha, com a educação que pretendo lhe dar. Como ela se sairá diante dos contrastes que essa sociedade oferece? Assim como tantas outras crianças, que deveriam ser criadas para zelar e criar coisas boas. Parabéns pelo texto. Excelente!

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    • 18 de Março de 2016 em 3:18 pm
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      Roseane, obrigada por suas palavras! É uma situação preocupante mesmo. Vivemos tempos difíceis. Beijos.

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  • 18 de Março de 2016 em 1:01 pm
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    Começou bem, Elaine. Texto bastante reflexivo e profundo, discorrendo bem sobre um tema muito atual. Sua preocupação é pertinente e representa a aflição pela qual as pessoas sérias, comprometidas com a preservação dos valores morais da sociedade passam. Nós, educadores e educadoras, temos o dever de alertar os jovens para essa inversão de valores, antes que seja tarde demais. Sabe? Poste também esse seu texto no Facebook. Será um bom convite à reflexão.

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    • 18 de Março de 2016 em 3:17 pm
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      Obrigada por suas palavras, Iolita. Para mim é uma honra! Saudades imensas!

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