Memórias da nossa Agrestina, por Dr. Roldão Joaquim dos Santos.

O texto que os leitores terão oportunidade de apreciar, trata-se da compilação do discurso proferido pelo São joaquinense Dr. Roldao Joaquim dos Santos, durante a solenidade de outorga do título de cidadão Agrestinense, ocorrida em dezembro de 2005. O texto na íntegra, pode ser conferido no blog municipalismo, do renomado jornalista e profundo pesquisador de história Dr. Newton Thaumaturgo.

Na foto Colégio Santo Antônio, Foto: Arquivo Pessoal Paulo Júnior.
Na foto Colégio Santo Antônio, Foto: Arquivo Pessoal Paulo Júnior.

” De uma fonte que saciava criaturas humanas e animais sedentos, nasceu o povoado de Bebedouro que depois se transformou em Agrestina, município sede de Barra do Chata, Barra do Jardim, Pé de Serra dos Mendes, Santa Tereza e seus arredores (de nomes tão familiares) como Perneiras, Capivara, Riacho do Peixe, Sapucaia, Ibiruçu, Umbuzeiro e outros nomes charmosos. Nosso tempo nasceu desse passado que, embora fisicamente não mais seja, é inspirador da nossa existência. Se não reflitamos: quem de nós pode festejar a estimada Agrestina, a saudosa Bebedouro sem lembrar as figuras memoráveis de nossos ancestrais como Pe. Júlio Cabral – 1º Sacerdote, Vereador Delmiro Tomaz de Azevedo- 1º Presidente desta Casa, Américo de Oliveira Costa- 1º Prefeito de Bebedouro, além dos nomes veneráveis de Abel Guilherme. Elias Libânio, Juca Alves, Pimentel, Eretiano, Sebastião Grande, Joaquim Santana, Zé Matias, Seu Mateus, Pedro Guilherme de Alcântara, Pulchério, Lauro Tenório, entre outros, na medida em que cada um, à sua maneira e dentro de suas limitações contribuiu na construção da história de nosso município que hoje me faz, por adoção, seu filho e conterrâneo.

Agrestina sempre alimentou meus sonhos de infância. Criança, nascida e criada no alto da Serra de Belo Monte, em São Joaquim do Monte aprendi a olhar, longinquamente, a torre da Igreja ou o reflexo da luz de Bebedouro. Ainda hoje recordo a indescritível alegria de conhecer Agrestina, vindo de São Joaquim do Monte na garupa do “cavalo rudado” de meu saudoso pai. Acompanhei, com ansiedade meu pai— Joaquim Pedro— pegar o cavalo no cercado, colocar a sela, forrar a garupa e com ele marchar para esta maravilhosa cidade. Até o gosto pelo café da manhã foi afogado pelo prazer de conhecer a cidade, cuja iluminação clareava os céus da minha infância. Pelas mãos paternas subi os degraus da Igreja e fiz minhas preces da gruta de Nossa Senhora do Desterro, conheci Elias Libânio e Juca Alves.

Na Foto Abel Guilherme, Foto: Arquivo Pessoal Paulo Júnior.
Na Foto Abel Guilherme, Foto: Arquivo Pessoal Paulo Júnior.

A feira muito grande, cavalos bonitos, selados ou com suas cangalhas cobertas de lona, o Padre, o Prefeito, os amigos do meu pai, tudo guardado, carinhosamente, na alma da criança que fui e que ainda não morreu, dentro de mim.

Daí, já crescido e montando sozinho o cavalo, frequentei as feiras, as festas, a casa de Juca Alves e vi, deslumbrado, o sobrado de Seu Abel, o Cartório de Elias, o escritório de Lauro Tenório, a imponência da Igreja dominando o ambiente… as moças bonitas, os jovens garbosos, a construção de sonhos…

A Casa do Leão” na rua do Cemitério, o mercado de farinha, o açougue… e meu pai falava com todos e parecia a todos conhecer. As histórias de Juca Alves, na sua Farmácia, medicando a população carente e, nas horas vagas, falando dos romances famosos, a exemplo do Conde de Monte Cristo, os Três Mosqueteiros, o Guarani, Brás Cubas e outros que a memória não relembra.

Com certeza Agrestina foi sempre — e continua sendo — o Santuário dos meus sonhos… e, não faz mal repetir o poeta: “sofremos pelos sonhos e curamo-nos pelos sonhos”.

Nada mais agradável do que ver Betinho jogando futebol, Fernando aplicando injeção, Lauro Tenório falando sobre a Justiça e Elias Libânio pontificando em seu Cartório ou na sua Cooperativa: e o sábio, santo e justo, Pedro Guilherme de Alcântara que ofereceu a casa que lhe serviu de berço para sediar o Colégio Santo Antônio transformado no educandário da juventude.

Na Foto Dr. Pedro, Foto: Arquivo Pessoal Paulo Júnior.
Na Foto Dr. Pedro, Foto: Arquivo Pessoal Paulo Júnior.

Pois bem, minhas Senhoras e meus Senhores não é que todas essas emoções foram despertadas pela iniciativa do filho de Nô Lelé, que nós conhecemos como Heleno da Farmácia, o Vereador Presidente que, conspirando com o formidável conterrâneo Newton Thaumaturgo, apresentou, a esta Casa, um Projeto de Resolução que, aprovado pelos Senhores Vereadores, fez-me cidadão dessa tão querida, estimada e saudosa Agrestina? Agrestina da Torre Garbosa da Igreja, da Gruta de Nossa Senhora do Desterro, a Pátria de Abel Guilherme, Sinval Ribeiro e da saudosa Dona Edileuza, professora de várias gerações.

Vossa Excelência, Senhor Presidente Heleno Rodrigues, despertou em mim as emoções mais belas que remontam à infância, à juventude a um passado cheio de poesia e de lembranças carinhosas.

Mas, Senhor Presidente, sei um pouco de sua história, desde seus ancestrais. Quando seu avô Manoel Rodrigues— o Lelé construiu um Rancho na frente do Cemitério, já anunciava sua vocação de servir, abrigando, modestamente, os feirantes e viajores que descansavam de suas longas viagens. O filho de Alfredo Rodrigues Figueiredo — o Nô Lelé — e de Quitéria Cavalcanti de Vasconcelos é o nosso estimado Heleno da Farmácia. O seu avô aliviava o cansaço dos viajantes oferecendo-lhe repouso no Rancho da Rua do Cemitério e Heleno, seguindo a vocação de servir, diminui o sofrimento do povo, oferecendo-lhe o medicamento para aliviar as dores dos enfermos. Mas, Heleno, você é um homem abençoado. Deus lhe concedeu a graça de ter como companheira inseparável e esposa dedicada, Dona Maria do Carmo a vinha fecunda que encheu o seu lar de (sete) filhos abençoados e, como consequência, 12 netos alegres e cheios de graça.

Obrigado, Heleno, pela sua iniciativa. Hoje posso repetir com mais ardor — São Joaquim é minha pátria de nascimento e Agrestina é a pátria do meu coração.

(…) Estamos chegando ao final de nosso discurso, jamais ao final de nosso agradecimento. Permitam-me repetir a honra insigne de ser, por esta Casa, considerado Cidadão de Agrestina, da terra de Delmiro Tomaz de Azevedo 1º Presidente desta Câmara, do 1º Prefeito Américo de Oliveira Costa, de Abel Guilherme, de Elias Libânio, de Juca Alves e de tantos outros nomes sacrossantos do nosso município que fizeram a nossa história. Como se não bastasse a lembrança de homens tão ilustres, registro com emoção, as lembranças do Professor Pedro Guilherme de Alcântara, que desta terra foi Prefeito por 4 (quatro) anos mas a ela se dedicou até à morte, com seu Colégio Santo Antônio, sua fé inabalável no Evangelho e na difusão do Reino de Deus entre os homens. Professor Pedro, de tal modo se dedicou à esta terra que trouxe, para compor as páginas de sua história, a inteligência brilhante do Professor Pedro Ivo Bedor Sampaio, autor da letra e da música do Hino do Colégio Santo Antônio. Ele foi um dos enviados de Ruy Barbosa: “Só há uma glória verdadeiramente digna deste nome, é ser bom” e Professor Pedro Guilherme o foi. (…)”

Ao texto, não há necessidade de acréscimo, porém, acredito que levará os mais velhos, a despertar emoções, sentimento expresso também pelo homenageado, aos mais jovens, acredito eu, que irá despertar no imaginário, a visão de como seria a antiga Agrestina, terra que tanto encantou o jovem Roldão Joaquim e tantos outros que conheceram a antiga Bebedouro, hoje cidade de Agrestina.

FONTE; Blog Municipalismo, de Newton Thaumaturgo

Paulo Junior

Paulo Junior, tem 32 anos e Licenciado em Historia pela FAFICA, e Bacharel em Serviço Social pela Anhanguera, desde 2008 é Professor da Rede Estadual de Ensino, atualmente exerce a função de Gestor Escolar na Escola Santo Amaro, município de Caruaru. Além de Professor, atua como historiador, tendo como linha de pesquisa a Historia local, sendo relevante sua contribuição para a produção historiográfica do município de Agrestina.

4 comentários em “Memórias da nossa Agrestina, por Dr. Roldão Joaquim dos Santos.

  • 17 de Março de 2016 em 5:23 pm
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    Matéria excelente!!! Emocionante!! Parabéns

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  • 21 de Março de 2016 em 1:43 am
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    Esses detalhes de nossa saudosa Agrestina foram contadas de uma maneira tão íntima e particular que eu me peguei imaginando cada cena. Belíssimo texto! 👏👏👏

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  • 23 de Março de 2016 em 12:13 am
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    Excelente post, Paulo! Impossível não visualizar os detalhes da história de Agrestina nas palavras aqui descritas. Parabéns!

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  • 26 de Abril de 2016 em 12:07 am
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    Que saudade dessa terra!!!! – Onde passei a minha infância, no sítio de Capivara.

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