Pioneirismo no comércio e na política foram marcas da família Pinheiro de Barros

O tronco da família Pinheiro de Barros em Agrestina, vem do casal de professores Pedro Antonio Pinheiro de Barros e Emília Pinheiro de Barros, conforme cita Barbalho na obra Altinho de antes da fazenda até a freguesia de Nossa Senhora do Ó.

A matriarca da família, inclusive é homenageada e dá nome a uma fundação sediada em nosso município. Do casal, Pedro Pinheiro e Emília Pinheiro, conseguimos encontrar o registro de três filhos: Haydéia Pinheiro de Barros, uma das idealizadoras do jornal Lyrio (1919), assim como os pais, exerceu o cargo de professora no município de Bebedouro (Agrestina); Elisa Pinheiro de Assunção e João Pinheiro de Barros, que casou-se com Madame Mariette, alagoana nascida em Branquinha.

            Para compreendermos um pouco deste pioneirismo, procurei fazer alusão ao tronco da família Pinheiro Barros em Agrestina, para nos próximos parágrafos me dedicar em breves linhas ao pioneirismo das mulheres desta família em nosso município.

Imaginemos que numa sociedade marcada pelo patriarcalismo, como é o caso do nosso país. A presença feminina no decorrer do século XX, aos poucos foi ganhando notoriedade, principalmente nos grandes centros urbanos, mas ainda era predominante  o modelo tradicional no qual cabiam as mulheres o exercício das atividades do lar e da responsabilidade pela educação dos filhos. Basta recordarmos que em pleno século XXI, o modelo de bela, recatada e do lar, mesmo sendo alvo de críticas ferrenhas das feministas, ainda assim, foi apresentado como modelo a ser seguido.

Em Bebedouro através dos jornais, pude identificar um pioneirismo de mulheres não apenas quando do surgimento do jornal “Lyrio”, mas também no ramo do comércio. Um fato curioso que me chamou atenção foi que entre todos os anúncios publicados no jornal local, apenas um comércio no ramo alimentício era dirigido por uma mulher. Os demais, provavelmente contavam com a presença feminina no atendimento aos clientes, mas, nenhum fazia alusão ao casal de comerciante, mostrando assim a forte presença do “dono” do comércio. O pioneirismo de Emília Pinheiro de Barros, é notável inclusive na forma de fazer a publicidade do seu comércio, conforme pode ser observado nos anúncios divulgados no jornal local. Vejamos:

            Emília Pinheiro naquela época já visualizada que a propaganda era uma forma de divulgar os gêneros ofertados em seu comércio, e consequentemente atender melhor os seus clientes, e conforme anunciado, servindo com presteza e sinceridade.

Além de Emília Pinheiro, merece destaque o pioneirismo de sua nora Mariette Motta Pinheiro, uma das mais notáveis costureiras de Bebedouro, nos idos de 1930, conforme foi noticiado em correspondência do Jornal do Recife, que abriu uma agência da singer com um curso de bordados que está sendo ministrado pela senhora Marietta Motta Pinheiro. Informou-se ainda no jornal que o novo curso está sendo frequentado por distintas senhoritas da sociedade local. Quando da época da circulação do jornal A voz de Bebedouro, a Madame Mariette, utilizou a parte dedicada aos anúncio para  divulgação do atelier de modas, conforme pode ser observado no anúncio abaixo:

            Além de anunciar seu atelier, Madame Mariette, aproveitou para divulgar o curso de bordados por ela oferecido. Sem dúvidas tais anúncios destacam-se pela ousadia do tempo e o reconhecimento por parte das comerciantes do poder de abrangência da propaganda feito num jornal que além de circular em Bebedouro, possuía correspondentes no Altinho em São Joaquim do Monte e Bonito, provavelmente também circulava em Caruaru.

            O pioneirismo de Mariette Motta Pinheiro, não ficou restrito as atividades de costura, chegou a abranger o meio político da cidade. Em 1930, as mulheres conquistaram o direito ao voto, e,  marcada as primeiras eleições nas quais as mulheres conquistaram o direito ao voto, Mariette candidatou-se e foi a primeira mulher a assumir o cargo de vereadora pelo município de Bebedouro. Embora os eleitos em 1934 não tenham concluído o mandato, tendo em vista a instalação do Estado Novo de Vargas, o qual suprimiu o poder legislativo em todas as esferas da administração, Mariette Pinheiro foi pioneira e entrou na história do município por se tornar a primeira mulher a ocupar um cargo no poder legislativo municipal.

            Infelizmente não possuo fotos das mulheres da família Pinheiro de Barros, mas a apresentação dos anúncios do jornal local, utilizado como fonte de pesquisa para o artigo produzido hoje, talvez tenha sido útil para conhecermos um pouco da história do município de Agrestina e, assim conhecermos um pouco do pioneirismo de Emília, Haydéia Pinheiro e Mariette Pinheiro.

 

Por Paulo Júnior

Paulo Junior

Paulo Junior, tem 32 anos e Licenciado em Historia pela FAFICA, e Bacharel em Serviço Social pela Anhanguera, desde 2008 é Professor da Rede Estadual de Ensino, atualmente exerce a função de Gestor Escolar na Escola Santo Amaro, município de Caruaru. Além de Professor, atua como historiador, tendo como linha de pesquisa a Historia local, sendo relevante sua contribuição para a produção historiográfica do município de Agrestina.

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