Em tempo de crise politica, por ato da Presidência da Republica politico Agrestinense teve seu mandato cassado.

Na edição de 13/10/1966 a capa do Jornal do Comércio estampou noticia sobre a cassação do mandato parlamentar do Deputado Estadual Elias Libânio, cassado através do Ato institucional n° 2, o qual definia as regras para cassação de mandatos eletivos, entrando na lista dos que tiveram o mandato cassado durante o regime militar, o agrestinense Elias Libânio.

foto: Trecho do Jornal
foto: Trecho do Jornal

Em entrevista ao Jornal do Comércio, Libânio alegou que houve interferência de adversários políticos locais para a decisão presidencial.  Vejamos parte do que foi noticiado na edição de 13/10/1966, um dia após a cassação.

Na Foto: Geraldo Guedes, Arquivo Pessoal Paulo Junior
Na Foto: Geraldo Guedes, Arquivo Pessoal Paulo Junior

 

Responsabilizo o meu inimigo e adversário político desde 1945, a quem nunca dei chance de vitória, o deputado Geraldo Guedes, e o jornalista José Wamberto, secretário de imprensa da Presidência da República, pela cassação do meu mandato”- afirmou ontem ao JORNAL DO COMMÉRCIO o snr. Elias Libânio Ribeiro, que teve o seu mandato de deputado estadual cassado e os direitos políticos suspensos por 10 anos, por ato do presidente Castello Branco.

“Sou um revolucionário autêntico. Não pesa contra mim qualquer acusação de corrupção ou subversão e o inquérito que o DFSP moveu contra mim nada apurou, motivo porque não vejo razão para isso, que considero uma fofocagem” – acrescentou o snr. Elias Libânio, que aparentou a maior calma ao receber a notícia que a reportagem lhe levou em primeira mão.

O parlamentar encontrava-se, às 21h de ontem, em sua residência, no edifício Caetés, em companhia de familiares e não deixou transparecer qualquer ressentimento por ter que deixar a política, na qual militava desde 1936, quando foi eleito vereador à Câmara Municipal de Agrestina.

Elias Libânio afirmou que a cassação do seu mandato chegou tarde.

 

Na foto Elias Libânio, Foto: Arquivo Pessoal Paulo Júnior.
Na foto Elias Libânio, Foto: Arquivo Pessoal Paulo Júnior.

Quanto à cassação dos meus direitos políticos, chegou um pouco tarde, pois já havia decidido abandonar a política e tanto é assim que não sou candidato a qualquer posto eletivo, nem me filiei a qualquer das legendas que vão disputar as próximas eleições.

O ato presidencial apenas irá antecipar de cinco meses o meu afastamento da vida pública, que se concretizaria em 15 de março de 1967, quando concluiria o meu atual mandato de deputado. Só que deixo agora a vida pública muito mais desencantado do que já estava, quando decidi abandoná-la diante de uma clamorosa injustiça – disse o ex-deputado.

Afirmou o snr. Elias Libânio Ribeiro que recebia a notícia com firmeza e sem temer as consequências, apesar de concordar em que “não há quem goste de uma notícia assim. Sou um homem realizado. Vou cuidar da minha vida”, acrescentou. (…)

O snr. Elias Libânio Ribeiro é escrivão do cartório do 1º Ofício da Comarca de Agrestina há 31 anos. A propósito do desempenho de sua função pública. , afirmou ter uma ficha funcional limpa, o que o Tribunal de Justiça poderá atestar “Submeto-me a qualquer devassa em minha vida pública, privada e funcional, para que se apure se eu sou corrupto ou subversivo” – disse.

ÚLTIMA SESSÃO

O snr. Elias Libânio Ribeiro esteve, na tarde de ontem, na Assembleia Legislativa e, não sendo realizada a sessão, participou dos debates no plenário do Joaquim Nabuco, em companhia dos diversos parlamentares que se encontravam presentes, não suspeitando que aquela hora, provavelmente, já estava decidida a sorte do seu mandato.

Ainda sobre a cassação de Elias Libânio, o jornal informou que o governador Paulo Guerra(…)Ao tomar conhecimento da nova lista de cassações,  mostrou-se surpreso quanto à inclusão do nome do deputado pernambucano Elias Libânio Ribeiro, pois, esteve, anteontem, no Palácio das Laranjeiras e nenhuma comunicação lhe foi feita sobre esta decisão afirmou.

Fonte: Jornal do Comércio 13/10/1966.

Paulo Junior

Paulo Junior, tem 32 anos e Licenciado em Historia pela FAFICA, e Bacharel em Serviço Social pela Anhanguera, desde 2008 é Professor da Rede Estadual de Ensino, atualmente exerce a função de Gestor Escolar na Escola Santo Amaro, município de Caruaru. Além de Professor, atua como historiador, tendo como linha de pesquisa a Historia local, sendo relevante sua contribuição para a produção historiográfica do município de Agrestina.

Um comentário em “Em tempo de crise politica, por ato da Presidência da Republica politico Agrestinense teve seu mandato cassado.

  • 26 de Abril de 2016 em 3:49 pm
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    Muito interessante e intrigante ver que “crise politica” é coisa antiga. É por isso que o cenario politico é tao desacreditado.

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