A folia de momo em Bebedouro – Por Paulo Júnior

Graças, ao uso das tecnologias através da digitalização de documentos, os registros escritos e publicados em jornais de circulação no estado de Pernambuco, facilmente hoje, podem ser objetos de pesquisa por pesquisadores da área de História, e até mesmo serem utilizados como importante ferramenta metodológica nas aulas de História da educação básica.

Como pesquisador da história local, hoje compartilho com os leitores, o registro publicado no Diário de Pernambuco, referente as comemorações dos festejos carnavalescos realizados na vila de Bebedouro. Através de tão relevante registro, nós, podemos conhecer como era comemorado o Carnaval em nossa Agrestina, isso na época em que o território pertencia ao município do Altinho. A movimentação e fluxo de pessoas na Vila de Bebedouro sempre foi grande, para cá, desciam diversas pessoas de várias partes da região Agreste, movimento assim a vida social na vila, isso em diversas festas do ano, a exemplo do São João, Natal, Ano Novo. A animação durante o período do Carnaval, não era diferente, foliões vindo de outros municípios vinham participar da folia realizada em Bebedouro, conforme foi observado no Diário de Pernambuco do ano de 1918.

O registro publicado no Diário de Pernambuco, em sua íntegra, trata-se da comemoração do Carnaval em Bebedouro. Vejamos:

“Foram animadíssimos os festejos carnavalescos nesta villa.

Exibiram-se dois cordões: o “Club 10 de fevereiro”, compostos dos melhores rapazes bebedourenses e o das “ciganinhas” em que tomaram parte mais de 30 meninas daqui. A orquestra do “10 de fevereiro” compunha-se de 15 músicos e a das “ciganinhas” de instrumentos de cordas.

Ambos os cordões se apresentaram com bonitos estandartes que eram conduzidos por sócios ricamente vestidos. Além dos grupos citados exibiu-se um grupo de senhoritas, com vestes da “cruz vermelha”.

O brinquedo foi animado. Esgotaram-se as remessas de “lança-perfumes” e bisnagas, terminou o entrudo carnavalesco com o uso de pó de arroz, notando-se muita afluência de famílias, tanto de Caruaru, como de povoados vizinhos.

Nada deixou a desejar o carnaval em nossa villa e sendo ainda mais digna de elogios em virtude da ordem e respeito que foram irrepreensíveis.” (Diário de Pernambuco, edição n° 52, página 04, 23/02/1918).

 

O segundo registro do Carnaval em Bebedouro, o qual gostaria de partilhar com vocês, foi publicado em um jornal local, “A voz de Bebedouro”, de propriedade do bebedourense e secretário da prefeitura municipal, José Wamberto. O jornal que circulou no período de 1934 e 1935, registrou, provavelmente, em seu último número, os preparativos para o Carnaval do ano de 1935. Com o título “Carnavaladas”, o jornal local descreve os preparativos do bloco denominado “o prato mysterioso”, nele o editor descreve o nome dos organizadores do bloco, inclusive publicando caricaturas e apelidos, dos principais foliões da época.

Na matéria o redator publicou o seguinte: “consta-nos, aliás, com fundamento, que foliões inveterados movimentam-se para que o carnaval nesta cidade tenha o maior brilho”.  O jornal ainda destaca que a folia de momo “vem afastar, por momentos, as preocupações em que essa danada da vida nos afoga”. Portanto, a regra, de aproveitar o Carnaval como espaço temporal para esquecer os problemas da vida cotidiana, já era uma lógica usada a muitos carnavais.

Aos foliões saudosistas dos carnavais de outrora, aos foliões que cantam “ó quarta feira ingrata”, ou aqueles que não gostam dos festejos carnavalescos, desejo um ótimo feriado, deixando registrado aqui as comemorações da folia de momo em Bebedouro.

Caricatura publicada no jornal A voz de Bebedouro (1935). Fonte: Arquivo Pessoal Prof. Paulo Jr
Outro folião da época, caricatura do farmacêutico Juca Alves, publicado no jornal A voz de Bebedouro (1935). Fonte: Arquivo Pessoal Prof. Paulo Jr.

 

Paulo Junior

Paulo Junior, tem 32 anos e Licenciado em Historia pela FAFICA, e Bacharel em Serviço Social pela Anhanguera, desde 2008 é Professor da Rede Estadual de Ensino, atualmente exerce a função de Gestor Escolar na Escola Santo Amaro, município de Caruaru. Além de Professor, atua como historiador, tendo como linha de pesquisa a Historia local, sendo relevante sua contribuição para a produção historiográfica do município de Agrestina.

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